Um dos mais prementes problemas que afligem o homem é aquele atinente à sua identidade e seu lugar no mundo. No decorrer dos séculos as mentes mais ilustres debruçaram-se sobres estas questões. Todavia, inúmeras dificuldades se colocam no caminho daqueles que ousam com seriedade e rigor, insistir nestas reflexões!
Acostumamo-nos a pensar que essas questões são típicas de fases especificas de nossas vidas (adolescência e/ou terceira idade), mas, talvez mesmo que de modo inconsciente, basicamente todos (ou quase todos) os nossos movimentos na vida em sociedade têm como mote nossa necessidade intrínseca de auto-afirmação, de auto-identificação e compreensão de nossa posição no universo.
A construção do “eu” nas sociedades contemporâneas e as novas tentativas de pensar esse “eu” em relação ao “tu” e com relação ao “em torno”, são reflexos de quão voláteis e difusas são as imagens que fazemos do humano (portanto, de nós mesmos).Volatilidade e indistinção são algumas palavras que melhor se aplicam ao homem hodierno. Mas, se buscarmos saber o “por que” desta situação, não saberemos ao certo qual é a resposta.
Talvez, possamos seguir a pista deste problema na fragmentação do mundo ocorrida com o advento da Modernidade, e, a concomitante fragmentação do “Saber o homem”, em vários “saberes” distintos e algumas vezes antagônicos. Isso não significa que a questão do autoconhecimento e todas as demais que lhe são implicadas (qual a origem, natureza e destino do homem) não tivessem sido postas na Antigüidade, todas essas indagações já se faziam presente, e isso não nos deixa dúvida a inscrição no pórtico do oráculo de Delfos “Conhece-te a ti mesmo”. Mas, em certo sentido havia a garantia de um princípio maior, um transcendente ao homem que concedia, senão uma certeza, ao menos alguma segurança nas respostas que sucediam os questionamentos. Removido este “Fundamento”, os homens mergulharam em um lodaçal de incertezas e dúvidas, pois não sendo possuidores de um ponto firme de onde pudessem partir, partiam de si mesmos na construção do edifício dos saberes, sabres que se constituíram na “segurança” da Modernidade e na desesperança da Contemporaneidade, isso porque suas bases são na realidade relativas e inconstantes “a razão e a experiência”!
Construir o edifício do conhecimento tendo como base e princípio aquilo que é relativo e finito “o homem”, é uma tarefa grande em demasia, além da capacidade que nossas forças têm para suportar. Algo análogo a Atlas suportando em seus ombros o Monte Cáucaso, ele necessita de um libertador.
A recusa em reconhecer seus limites, ou quem sabe a incapacidade artificialmente gerada de fazê-lo, torna-nos constantemente oprimidos pelo peso dos absolutos que tentamos sustentar com nosso ser relativo, e a grandiosidade do infinito que ousamos abraçar com nossa natureza finita.
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