Em Górgias, Cálicles faz um discurso aconselhando Sócrates a abandonar a filosofia, uma vez que “…se prosseguir filosofando até uma idade avançada, forçosamente ficará ignorando tudo o que importa conhecer […] logo que procuram ocupar-se com seus próprios negócios ou com a política, tornam-se ridículos […] é procedimento ridículo, indigno de homens e merecedor de açoites. É precisamente isso que se dá comigo com relação aos que se dedicam à filosofia.[…] Mas, quando vejo um velho cultivá-la a destempo, sem renunciar tal ocupação, um homem nessas condições Sócrates, para mim é merecedor de açoites.” Como podemos perceber no fragmento acima, Cálicles considera inútil continuar com a filosofia após uma certa idade, considerando “ridículo” e merecedor de açoites.
No mito da caverna Platão demonstrará a existência de dois mundos, sensível e inteligível. Vivemos em um mundo governado pelas sensações, vemos apenas sombras (educação realizada pelos poetas) e que precisamos percorrer um longo caminho para chegar até a luz (conhecimento) e assim realmente ver o mundo real. O mundo sensível está dividido em entre Eikasia e pistis ou doxa. O mundo inteligível estará dividido entre diánoia e Noesis. Podemos encontrar a representação dessa divisão na “Símile da linha”:
A_____∆_________Γ________E________________B
Onde:
A∆ / ∆Γ = ΓE / EB
A∆ = Eikasía (Imagens das coisas sensíveis; cópias)
∆Γ = Pístis ou doxa (Crença e opinião; coisas sensíveis)
ΓE = Diánoia (Raciocínio ou pensamento discursivo matemático)
EB = Nóesis (Intuição, intelectual ou ciência intuitiva; eidos ou idéia)
Para Platão, Cálicles assim como todos os sofistas, vivem na Eikasía, representado no Mito, pela caverna, onde podemos apenas conhecer a “sombra” das coisas, mas nunca a coisa, apenas aquele que se dedicar à filosofia será capaz de realmente conhecer, a verdade. No mito da caverna Platão nos mostra que ao chegar a luz e querer voltar para “salvar” as outras pessoas que estão presas na escuridão da caverna terá problemas seriíssimos, podendo até ser condenado à morte, caso que podemos encontrar na apologia a Sócrates, assim podemos perceber que aos olhos de Platão o “ridículo” seria Cálicles, já aos olhos de Cálicles o “ridiculo” é Sócrates. “Parecerá ridículo no sólo aquel que se oponga a la experiencia, sino tambiém quien enuncie principios cuyas consecuencias imprevistas lo enfrentan con concepciones que son obvias em uma sociedad dada, y a las que él mismo no osaría oponerse.”
O dialogo de Calicles é o oposto da teoria defendida por Platão, uma vez que para Calicles a filosofia só poderá ser exercida até uma certa idade e para Platão a filosofia seria a única forma para se chegar a verdade e deveria ser exercida durante toda a vida.
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