«_Quem está em minha porta?», perguntou Ele.
«Teu humilde servo», respondi eu.
«_Que é o que te traz aqui?»
«Saudar-te, me Senhor.»
«_Quanto tempo mais viajarás?»
«_Até que TÚ me detenhas.»
«_Quanto tempo mais ferverás no fogo?»
«_Até que esteja purificado. Este é meu juramento:
No altar do amor entrego riqueza e posição.»
«Tens defendido teu caso mas não tens testemunhos.»
«Minhas lágrimas são minhas testemunhas,
a palidez de meu rosto são minhas provas.»
«Teu testemunho não tem validade:
Teus olhos estão demasiado úmidos para ver.»
«_Pelo esplendor de Tua justiça
meus olhos tornaram-se limpos e sem imperfeição.»
«_Qué buscas?»
«_Ter-te como Amigo permanente.»
«_Que queres de Mim?»
«_Tua abundante Graça.»
«_Quem foi teu companheiro na viagem?»
«_O pensamento de Ti, meu Rei.»
«_Que é o que te trouxe aqui?»
«A fragrância de Teu vinho.»
«_Que é o que mais te agrada?
«_A companhia do Soberano.»
«_Que é o que n’Ele encontras?»
«_Centenas de milagres. »
«_Por que está o palácio deserto? »
«_Porque todos temem ao ladrão.»
«_Quem é o ladrão? »
«_Quem me mantenha apartado de Ti. »
«_Aonde encontras segurança? »
«No serviço e na renúncia.»
«_Que te oferece a renúncia? »
«_A esperança de saIvação»
«_Onde se acha a graça?»
«_Na presença de Teu amor.»
«_Como te aproveitas desta vida?»
«_Mantendo-me fiel a mim mesmo.»
Chegado está o momento do silêncio.
Se lhes falo de Sua verdadeira essência,
sairás de vosso ser voando,
E nem porta nem telhado os poderiam reter!
Obs: poesia sufis não têm títulos.

Deixe um comentário