3. Teorias Geocinéticas na Astronomia
Ao examinarmos a astronomia do séc. IV, deixamos de mencionar as opiniões de Heráclides de Ponto (c. 388-310 a.C.), contemporâneo de Aristóteles. São dele as idéias de que a Terra gira em torno de seu próprio eixo (e portanto a esfera das estrelas é fixa), e de que Vênus e Mercúrio giram em torno do Sol. Uma das razões pelas quais a hipótese de que a Terra gira não foi aceita é que tal hipótese parecia implicar que corpos em queda sofreriam um desvio (para oeste), assim como asnuvens. Quanto ao movimento de Vênus e Mercúrio, trata-se da primeira proposta envolvendo epiciclos.
No séc. III, a abordagem matemática continuou tendo bastante influência na astronomia, que foi marcada por duas novas idéias: a hipótese heliocêntrica de Aristarco de Samos (310-230 a.C.) e desenvolvimento da idéia de epiciclo, com Apolônio.
As únicas obras que restaram de Aristarco apresentam um método para se medirem as distâncias da Lua e do Sol. No entanto, vários autores mencionam sua hipótese heliocêntrica, segundo a qual o Sol e a esfera das estrelas estariam fixas e a Terra circularia em torno do Sol. Salientou também que a esfera das estrelas deve estar muitíssimo distante, para explicar porque não se observava a “paralaxe” das estrelas: se a Terra se desloca no espaço, seria de se esperar que o ângulo em que as estrelas aparecem (por exemplo, em relação ao pólo Norte) tivesse uma pequena variação ao longo do ano (a paralaxe só seria observada por Friedrich Bessel em 1840). Aristarco também aceitava a hipótese de Heráclides, de que a terra gira em torno de seu próprio eixo.
O único outro astrônomo importante que aceitou a hipótese heliocêntrica foi Seleuco da Selêucia (c. 190-130 a.C.). A resistência em se aceitar as idéias “geocinéticas” (ou seja, de movimento da Terra) de Aristarco envolveu quatro motivos: (i) A concepção aristotélica do movimento natural dos corpos graves sugeria que o centro do universo coincidia com o centro da Terra. (ii) O argumento de que, se a Terra estivesse se movendo, haveria um efeito visível no movimento de objetos no ar. (iii) A ausência de paralaxe estrelar. (iv) O surgimento do modelo dos epiciclos.
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