Continuação do Capítulo I
Metafísica – Livro I – Cap. II
“Devemos examinar de que causas e de que princípios a filosofia é a ciência”[1]. Mas antes admitamos o que é o filósofo: ele
- “conhece, na medida do possível, todas as coisas, embora não possua a ciência de cada uma delas por si”[2].
- conhece as coisas difíceis além do conhecimento sensível que é comum a todos e não-científico.
- “Conhece as causas com mais exatidão, e é mais capaz de ensinar”[3].
O que é filosofia:
- A que escolhemos por ela própria, visando o saber [a causa] e não uma ciência de resultados.
- A ciência que não é subordinada a nenhuma outra. Ou seja, não recebe leis, mas as dá.
- A única ciência livre. A única que existe por si.
A filosofia é a maior das ciências, pois é a que em maior grau, possui a ciência universal, e que assim conhece todos os singulares. Logo, só o filósofo é aquele que pode ensinar já que sabe conhece a causa das outras ciências.
“A mais elevada das ciências, e superior a qualquer subordinada, é, portanto, aquela que conhece aquilo em vista do qual cada coisa se deve fazer”[4].
Assim, a ciência que procuramos é esta, a ciência teorética dos primeiros princípios e das causas, “porque o bem e o “porquê” são uma das causas”[5].
Foi pela admiração que os primeiros homens se propuseram a filosofar, depois de já haver quase tudo que é indispensável ao bem-estar e à comodidade. “Com efeito, a mais divina [ciência] é também a mais apreciável, e só em duas maneiras o pode ser: ou pó ser possuída principalmente de Deus, ou por ter como objeto as coisas divinas”[6]. Neste caso, Sofia, a divina sabedoria. Ou seja, “Deus, com efeito, parece ser, para todos, a causa e princípio, e tal uma ciência só Deus, ou Deus principalmente, poderia possuí-la”.
Estabelecida no capítulo anterior a existência da ciência ( ou sabedoria ), Aristóteles propõe-se neste capítulo indagar o que caracteriza. Em resumo é: ciência das causas primeiras; teórica, por excelência; eminentemente livre; divina; a mais digna de apreço, gerando a sua aquisição um estado de espírito contrário ao do pasmo da ignorância.[7]
“Fica assim estabelecida a natureza da ciência que procuramos e também o fim que a nossa investigação e todo o tratado devem alcançar”[8].
Continua no Capítulo III.
[1] Ibidem, p.213.
[2] Ibidem.
[3] Ibidem.
[4] Ibidem, p.214.
[5] Ibidem.
[6] Ibidem, p.215.
[7] Ibidem, p.213, nota de rodapé.
[8] Ibidem, p.215.
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