1. Francis Bacon (1561 – 1626): a vida e o projeto cultural
Obra mais conhecida: Novum Organum
Bacon descreve, segundo ele, as três grandes invenções que mudaram a concepção histórica. São eles:
- Arte da impressão – Revolução nas letras
- Pólvora – Revolução na Arte Militar
- Bússola – Revolução na Navegação
“(nada) parece ter exercido maior influência com mais eficácia sobre a humanidade do que essas três invenções” (REALE e ANTISERI 1990, 321)
Galileu teorizou a natureza do método cientifico; Descartes, proporia uma metafísica que influenciou extremamente a ciência; Bacon foi o filosofo da época industrial.[1]
Bacon se aplicou à uma idéia “Ela consistia simplesmente em acreditar que o saber devia dar seus frutos na prática, que a ciência devia ser aplicável à industria, que os homens tinham sagrado dever de se organizar para melhorar e transformar sua condição de vida.” (REALE e ANTISERI 1990, 322)
Teses
“A ciencia pode e deve transformar as condições da vida humana.. Ela não é realidade indiferente aos valores da ética, mas sim instrumento construido pelo homem tendo em vista a realização dos valores de fraternidade e progresso. Esses valores devem ser potencializados e fortalecidos pela propria ciência, na qual vigoram a colaboração, a humildade diante da natureza e o desejo de clareza. A extensão do poder do homem sobre a natureza não é nunca obra de pesquisador em paticular, que mantenha seus resultados secretos, mas é necessariamente fruto de coletividade organizada de cinetistas. O saber sempre tem função precisa no interior do mundo histórico e toda a reforma da cultura é sempre reforma das instituições culturais e das universidades – não só das instituições, mas também da mentalidade dos intelectuais. (Paulo Rossi)” (REALE e ANTISERI 1990, 322)
Bacom se opõe à Aristóteles – “estava “desapaixonado” […] da filosofia de Aristoteles: Não por desprezo pell autor, ao qual sempre atribuiu altos louvores, mas sim pela inutilidade do método, sendo a filosofia aristotelica filosofia boa somente para disputas e controversias, mas esteril em obras vantajosas para a vida humana […] Aristoteles doi o simbolo de filosofia “esteril no que se refere à produção de obras vantajosas para a vida humana.” (REALE e ANTISERI 1990, 322)
Novum Organum[2] – Tentativa de substituir Organum[3] aristotélico.
2. Os escritos de Bacon e seu significado
Obras
- Ensaios (1597) – Analises eruditos sobre a vida moral e política.
- Temporis partus masculus (1602) – Escrito muito polemico contras os filosofos – Platão Aristóteles, Galeano e Cicero; Tamás e Escoto; Cardan, Paracelso; “todos esses filosófos são meranmente cupados por não terem dado a devida atenção à natureza e o nessário respeito para com essa obra do criador, que deve ser ouvida com humildade e enterpretada com a necessário cautela e paciencia. Para ele a filosofia do passado é estéril e verbosa.” (REALE e ANTISERI 1990, 324-325) (Grifo nosso)
- De interpretatione naturae proemium (1603) – Bacom se estende em obs. De caráter autobiográficos em seu escreito.
- Valerius terminus (1603) –
- Cogitata et visa (1607-1609)
- Redargutio philosophiarum (1608)
- De sapientia veterum (1609) – atraves da interpretação de alguns mitos da antiguidade, o autor apresenta ao publico douto alguns mitos da nova filosofia.
- Descriptio Globi intellectualis (1612)
- Novum Organum (1608 – 1620)
- Of proficiense and advancement of learning, human and divine (1605) – trabalho ampliado em 1623, é uma especie de defesa e elogio ao saber. O segundo livro da obra analisa o estado de decadencia do saber e projeta uma enciclopedia do saber dividida em história (fundada na faculdade da memória), poesia (baseada na fantasia) e ciencia (alicerçada na razão)
- A nova Atlântida (1624) – “as paginas da Nova Atlântida que descrevem as funções cinetificas, os institutos de pesquisa, a atividade operosa e a fraterna colaboração entre os doutos aparecem (…) como a expressão das esperanças mais elevadas de Francis Bacon, projetadas para o plano da utópia. (Paulo Rossi)” (REALE e ANTISERI 1990, 326)
Carecteristicas de um homem que pode chegar à vedade. Caracteristicas que Bacon se identificava.”comprendi que sou, mais do que qualquer outra coisa, apto para o estudo da verdade […] por essas razões considero que minha natureza tem certa familiaridade e certa consonacia com a verdade” (REALE e ANTISERI 1990, 324)
As razões são:
- Mente agil para captar as semelhanças das coisas (importantissimo) e bastante solida
- Concentração para observar as mais sutis diferenças
- Desejo de indagar
- Paciencia de duvidar
- Paixão pelo meditar
- Prudencia no afirmar
- Presteza de rever posições e da diligencia no ordenar
- Não apaixonado pela novidade e adimirado com a antiguidade
- Odiar toda a forma de ipostura
Razões de sua publicação – De interpretatione naturae proemium (1603)
- Tudo que visa estabelecer relações intelectuais e libertar as mentes, se difunda entre as mutidões
- Livre de toda forma de impostura
- As formulas de interpretação e as invensões que dela sairem serão mais proficuas e seguras se reservadas aos genios adequados e bem escolhidos.
Bancon indicou e escreveu sobre:
- Função da ciência na vida e na história humana
- Formulou uma ética da pesquisa cientifica que se contrapunha claramente à mentalidade de tipo magico
- Tentou teorizar nova técnica de abordagem da realidade natural
- Lançou as bases da enciclopédia
- Libertação em relação aos idola
- Separação do humanamente descobrivel em relação ao dogma religioso
- Identificação da metafisica com a “fisica generalizada” fundada na história natural.
- O materialismo Atomista
- A valorização da técnica
- Polemica contra o empirismo cego dos magos e alquimistas
- O ideal da colaboração da pesquisa cientifica
- A identificação da busca da verdade com a busca de melhores condições humanas
- A carga de reposnsabilidade atribuida à pesquisa cientifica
[1] “Nenhum outro em sua época […] preocuparam-se com tanta profundidade e clareza com o problema da influencia das descobertas cientificas sobre a vida humana. (B. Farrington)” (REALE e ANTISERI 1990, 321)
[2] Títulos do livro de Francis Bacon, 1620, que contrapôs explicitamente sua lógica a lógica aristotélica. (ABBAGNANO 2007, 855)
[3] Esse foi o titulo dado pelos comentadores gregos ao conjunto das obras lógicas de Aristóteles. Ibid.
Deixe um comentário