As línguas e as letras nasceram gêmeas. Fato, para Vico, e quaisquer argumentos contrários eram opiniões extravagantes e monstruosas. E, assim, progrediram paralelamente nas suas três modalidades. Tais princípios se encontram nas origens da língua latina, percebidos na Ciência Nova.
“E foi por obra e graça de tais elaboradas razões que se fizeram tantas descobertas no âmbito da história, do governo e do direito romano antigo (…) Inspirados neste exemplo, os eruditos das línguas orientais , grega e, entre as atuais, particularmente da língua alemã, que é língua autóctone, poderão ir ter a descobertas da antiguidade fora de qualquer expectativa deles e nossa.”
“Razão de tais origens, seja de línguas seja de alfabetos, é que os primeiros povos da gentilidade, por uma comprovada necessidade natural, foram poetas, e falaram por figuras poéticas. Esta, que é a descoberta basilar desta Ciência, custou-nos a obstinada pesquisa de toda a nossa vida literária, mesmo porque às nossas naturezas civilizads é totalmente impossível imaginar, e com grande esforço apenas nos é dado perceber, essa tal natureza poética dos primeiros homens.”
“Tais figuras correspoderam a determinados gêneros fantásticos (ou imagens, predominantemente de substâncias animadas, seja de deuses seja de heróis, excogitadas pela fantasia deles), a que reduziam todas as espécies ou todos os particulares pertencentes a cada gênero. De forma análoga, as fábulas dos tempos humanos, quais os da comédia recente, são gêneros inteligíveis, isto é, racionalizados pela filosofia moral, dos quais os poetas cômicos formam os gêneros fantásticos (que outra coisa não são as ótimas ideias dos homens em seus respectivos gêneros), isto é, as personagens de comédias. Eis, pois, que tais caracteres divinos ou heróicos percebemo-los quais verdadeiras fábulas, ou narrações verazes. E nelas se descobrem as alegorias, cujos sentidos não são mais análogos, mas unívocos, nem filosóficos, mas históricos de rais tempos dos povos da Grécia.”
Ademais,
“justamente porque tais gêneros (quais, na sua essência, as fábulas) constituíam-se engendrados por robustíssimas fantasias, quais as de homens de racioncínio debilíssimo, deles podemos intuir os verdadeiros enunciados poéticos, que hão de ser tidos como sentimentos revestidos de grandíssimas paixões, e, por isso mesmo, plenos de sublimidade e capazes de sucitar maravilha.”
De resto, Vico diz, que as duas fontes de toda locução poética são:
- A indigência das falas
- A necessidade de expressar-se e de se fazer entender
E de ambas provêm a evidência da:
- Linguagem heróica ( della favella eroica )
Que imediatemente sucedeu à:
- Linguagem muda ( alla favella mutola )
“(…) por gestos ou caracteres que tinham correspondência com as ideias que se intencionava significar, linguagem empregada nos tempos divinos, aliás.”
Em suma,
“através do imperativo fluxo das coisas humanas, as línguas, entres os assírios, os sírios, os fenícios, os egípcios, os gregos e os latinos sabemo-las iniciadas pelos versos heróicos, depois passados a jâmbicos, que afinal foram dar na prosa. Com isto dá-se credibilidade à história dos antigos poetas, e explica-se a razão por que na língua alemã, particularmente na Silésia, província toda ela de camponeses, naturalmente nascem versejadores, sendo que na língua espanhola, na francesa e na italiana os primeiros autores escreveram em versos.”
Todas as citações:
VICO, Giambattista. Princípios de (uma) Ciência Nova. Coleção: Os Pensadores de 1973. p.26
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